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Humidade

Manchas junto ao rodapé do lado da rua: de onde vem a água

Por Benjamin Collier · Atualizado em 11 de outubro de 2026

Resposta curta

Quando as manchas aparecem junto ao rodapé, em vários pisos e sempre do lado da rua, a água normalmente não vem do chão. Vem de cima. Entra pelos frisos e platibandas da fachada, que funcionam como prateleiras, e desce por trás do revestimento até encontrar o pavimento de cada piso.

Fachada amarela em Lisboa com friso em pedra e varanda de ferro

O sintoma

Manchas e tinta a destacar junto ao rodapé. Repetem-se todos os invernos, sempre na mesma parede, a que dá para a rua. Aparecem no segundo andar, no terceiro, no quarto. Pinta-se o interior e, no inverno seguinte, lá estão outra vez.

Como a mancha está em baixo, pensa-se em humidade que sobe do chão. Num terceiro andar, isso não é possível.

O que está a acontecer

Muitos prédios de Lisboa têm frisos horizontais a marcar cada piso. O topo desses frisos é quase plano. A chuva pára ali, como numa prateleira. Com os anos, abrem-se fissuras finas na ligação entre o friso e a parede. A água entra, desce por dentro e só aparece quando encontra um obstáculo: a laje do piso. É por isso que a mancha surge junto ao rodapé.

Como confirmar

  • Comparar alçados. Se a fachada de trás, sem frisos, não tem o problema, a pista é forte.
  • Ver quando aparece. Depois de chuva com vento de um determinado lado, e não em tempo seco.
  • Olhar para o friso de perto, a partir de uma janela ou com um drone: topo plano, fissuras na ligação, tinta estalada.
  • Mapear as fissuras e medir a humidade do lado de dentro, em vários pontos.

Como se resolve

  1. Dar pendente ao topo do friso, para a água escorrer para fora.
  2. Criar uma pingadeira no bordo, para a água cair em vez de escorrer pela parede.
  3. Aplicar uma membrana impermeável por cima do friso, na cor do próprio friso.
  4. Selar as fissuras com vedante elástico.
  5. Aplicar um hidrofugante incolor no conjunto.

O aspeto do prédio mantém-se. Só depois de a parede secar é que faz sentido reparar e pintar o interior das frações.

O erro comum

Pintar a fachada por cima, ou pintar só o interior. As duas coisas resolvem a cor durante dois invernos. A água continua a ter por onde entrar.

E se for no rés-do-chão?

Aí pode mesmo ser humidade a subir do solo. Reconhece-se por uma faixa horizontal contínua, à mesma altura em todas as paredes, muitas vezes com salitre. A causa é diferente e a solução também.

Num prédio em condomínio, este é um problema das partes comuns. Vale a pena levá-lo à assembleia com as perguntas certas.

Benjamin CollierDirige a Pineapple Pinturas, empresa de pintura e restauro de fachadas em Lisboa.

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Jacarandá em flor junto a uma fachada lisboeta
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